21/11/22

Clareza nas informações é chave para investimentos na transição energética

Relatório da Global Wind Energy Council (GWEC) e da Global Solar Council (GSC) no fórum sobre Transição Energética da G20 aponta ações para aumentar investimentos

Relatório publicado pela Global Wind Energy Council (GWEC) e pela Global Solar Council (GSC), duas das principais instituições da área, na ocasião do Fórum de Transição Energética do G20, defende a necessidade de transparência e clareza das informações para se combater a atual crise energética, causada pela desorganizada e postergada transição energética. O documento afirma que, sem a redução imediata e profunda da emissão de CO², será impossível limitar o aumento da temperatura do planeta.

A única solução para os três principais pontos — segurança, mudança climática e acessibilidade — é, de acordo com o documento, a transição rápida e efetiva dos combustíveis fósseis, que têm tornado os preços instáveis e diminuído a segurança energética dos países, para a energia renovável. Para tal, defende-se a criação de políticas públicas e instrumentos de mercado que tornem mais atrativos investimentos em energia renovável, como a solar e a eólica.

O relatório propõe dois aspectos que devem ser pensados a curto prazo de modo a aliar investimentos a objetivos climáticos. O primeiro é a definição de diretrizes claras sobre taxonomias verdes (qual é a real definição de energia verde, para evitar nomear novas energias fósseis de energia renovável), de modo a mobilizar investimentos de grande escala em projetos de energias renováveis. É necessário que investimentos em energia não-renovável não sejam considerados “verdes”, como o caso do mercado do gás natural, porque isso apenas aumentará a relação entre a disponibilidade dos combustíveis fósseis e a volatilidade dos preços. Contudo, no momento, não existe um consenso entre os países sobre uma definição exata de energia renovável.

O estabelecimento de diretrizes claras permite que padrões sejam tomados para futuros investimentos, o que afeta diretamente países do Sul Global, já que projetos de gás natural de países em desenvolvimento recebem quatro vezes mais financiamento internacional que projetos de eólica e solar. Assim, é preciso que sejam criadas políticas públicas que guiem os investimentos para a transição energética, porque apenas a exclusão do gás natural e da energia nuclear da diretriz energética renovável não será suficiente para retirá-los do mercado.

Já o segundo aspecto apresentado consiste na aceleração de licenciamento e construção de projetos eólicos e solares. O aumento de produção de energia limpa pode, nas palavras do texto, “diminuir os preços, estimular investimentos, acelerar o crescimento econômico e atingir objetivos climáticos”.

Banco de Dados Genérico (2022).

Projetos renováveis de larga escala (eólicas e solares) podem ser construídos rapidamente, cerca de 1 ano para eólica onshore e solar fotovoltaica, e, a depender do tamanho do projeto, 2 anos para projetos de fonte eólica offshore. Segundo estudos publicados em A clean COVID-19 recovery: The global opportunity 13,000 renewable energy projects for a green recovery, pela GWEC Market Intelligence, estima-se que pode ser alcançado, nos próximos 3 anos, um desenvolvimento global de aproximadamente 1000 GW de projetos de eólica onshore, offshore e solar. A maioria dos projetos está localizada em economias do G20, sendo o Brasil um dos países mencionados. Se houver permissão e investimento, esses projetos podem ser materializados entre 2023–2025.

Dentre os 10 passos apresentados como essenciais para a permissão de projetos solares e eólicos de grande escala, destacam-se:

· investimento em mais profissionais e recursos no licenciamento de energia renovável e projetos de infraestrutura, como o setor de transmissão de energia

· a construção de bancos de dados digitais atualizados com registros de terras e localização de demais projetos limítrofes, incluindo o registro de projetos que tiveram resistência da comunidade local (algo com baixa ocorrência no Brasil, tendo em vista as atividades de mitigação de impactos socioambientais realizadas pelas empresas de geração de energia renovável)

· a priorização de projetos que forneçam segurança energética

· o diálogo e o apoio da comunidade ao seu desenvolvimento

· a possibilidade regulatória de repotencialização dos parques geradores, seja por melhorias na tecnologia das usinas solares ou pela atualização de aerogeradores mais eficientes em parques eólicos já existentes.

Texto por: Letícia Pilger.

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