17/03/23

Expansão da geração hídrica no aumento da oferta de geração para 2023

A publicação mensal da ANEEL, na versão de março de 2023, apresenta o relatório O Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (RALIE), que contempla as expectativas do governo na entrada de novos projetos de energia elétrica para suprir o crescimento do consumo e do país. Apresentamos, aqui, as principais informações quanto à futura geração das PCHs, tendo em vista que, no final de março, será realizada a VI Conferência Nacional de PCHs e CGHs.

Figura 1 — Projeção de oferta de geração hídrica (PCH) para os próximos anos. Fonte: ANEEL (março, 2023). Elaboração: Ecotx Energy Data

Para este ano, é previsto que a fonte eólica insira 4,9 GW em novos projetos para geração de energia, com novas 123 usinas, enquanto se espera que a solar (na geração centralizada) insira 3,8 GW com novas 93 usinas. Já na PCH, é prevista a entrada de operação, em 2023, de 182,8 MW — equivalente a 0,1828 GW de potência — com a operação de 13 novas usinas, isto é, uma potência mais baixa, quando comparada às outras fontes.

Da potência oriunda das PCHs, 90,05% foram negociadas no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), por meio de leilões, e serão vendidos no ambiente regulado até o período de suas outorgas. O restante, que corresponde a 9,95%, foi viabilizado por meio de Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Figura 2 — Projeção de oferta de novas usinas (PCHs) para 2023. Fonte: ANEEL (março, 2023). Elaboração: Ecotx Energy Data

Destaca-se o estado do Paraná na produção da geração hídrica, por apresentar a maior injeção de potência em PCHs, com 63,75 MW a serem injetados em 2023. É seguido, então, pelos estados Rio Grande do Sul (28,05 MW) e Goiás (26 MW).

Figura 3 — Projeção de oferta de novas usinas (PCHs) para 2023, por estado. Fonte: ANEEL (março, 2023). Elaboração: Ecotx Energy Data

Quanto às licenças ambientais dos projetos, percebe-se que todos os 13 projetos de PCHs estão em estágio de obras, com licença de instalação vigente em 12 deles — a de Bela Vista está vencida –, enquanto 6 projetos, o que corresponde a 46,15%, estão com o cronograma de outorga e o de entrada em operação atrasados. Todos os contratos de conexão da distribuidora e da transmissora estão ativos e validados, bem como os contratos do uso de sistema de transmissão ou distribuição (CCT/CCT e CUST/CUSD). Dessa forma, a probabilidade que tais projetos entrem em operação e passem a suprir energia é alta.

Em paralelo, ao se analisar os empreendimentos em fases de estudo de toda a geração hídrica, nota-se que 21 projetos estão com registro ativo, e espera-se que, nos próximos anos, passem para as etapas seguintes, relacionadas ao licenciamento ambiental e de obtenção de Licença Prévia (LP) para participação em leilões e futura construção e operação.

Desses, há 4 projetos de UHE de grande porte, com potência muito elevada (>700 MW) e que provavelmente não entrarão em operação, sendo dois na bacia do Tapajós, um na bacia rio Pelotas e outro na bacia do rio Negro. Apesar disso, ainda sobram cerca de 2,5 GW.

Figura 4 — Estudos de novos empreendimentos de fonte hídrica. ANEEL (março, 2023). Elaboração: Ecotx Energy Data

Portanto, o cenário da expansão da geração hídrica não é tão promissor para 2023, devido à pouca potência prevista e, para 2024, o cenário é semelhante, com 181,5 MW previstos (com 17 usinas). A previsão para 2025 segue no mesmo patamar, com 161,9 MW em 12 usinas.

Uma baixa injeção de geração hídrica pode significar, no futuro, uma vulnerabilidade do sistema elétrico, porque é importante a diversificação da matriz elétrica entre as diversas fontes de geração, por trazer segurança no atendimento da carga. Uma matriz energética diversificada poderá suprir o consumo do país com segurança e se adequar às mudanças climáticas em períodos de crises energéticas.

Para conferir os dados utilizados nesta análise, convidamos vocês a visitarem os nossos dashboards de “Projeção de Entrada em Operação” e “Empreendimentos Hidrelétricos em Estudo”, bem como acompanhar a VI Conferência Nacional de PCHs e CGHs, que ocorre, em Brasília, no próximo dia 29 e 30 de março.

Autora: Leticia Pilger
Editor: Paulo Renato Reche