18/07/23

O consumo de energia elétrica cresceu no primeiro semestre de 2023

Como publicamos em nosso texto anterior (https://www.ecotx.com.br/fontes-eolica-e-solar-sao-destaque-na-injecao-do-primeiro-trimestre-de-2023-uma-analise-da-ultima-decada/), que apresentou a geração de energia nos primeiros meses de cada ano da última década, hoje abordaremos o que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em sua Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica (nº 189), divulgou no final de junho, que pode ser lido como o resumo do primeiro semestre. O relatório aponta um aumento interanual de consumo de eletricidade no país de 2,7%, na comparação entre maio de 2022 e maio de 2023, alcançando 43.181 GWh no total. Ao cotejarmos o valor acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento do consumo foi de 1,8%, que está equilibrado com a expansão do PIB (4%). Analisaremos, aqui, o contexto de crescimento a partir do comportamento de consumo entre setores e regiões do país.

O setor que mais aumentou o consumo foi o residencial, com 4,6%, seguido do comercial, com 3,3% e, por último, o industrial, com 1,6%. A EPE justifica o aumento no ambiente doméstico pelo aquecimento global e pela consequente elevação das temperaturas no geral, assim como pela redução de perdas das distribuidoras, pela reclassificação dos consumidores e pelo aumento da ocupação e do rendimento dos cidadãos no período pós-pandêmico. Houve, nesse setor, até maio, de 2023, uma demanda de 219.323 GWh.

Da mesma forma, o aumento do terceiro setor também se deve às mudanças climáticas, além de um desempenho consistente de vendas devido à recuperação da economia. Contudo, seu aumento está concentrado na região Norte, Sul e Centro-Oeste.

Já o aumento do consumo industrial ocorreu majoritariamente na metalurgia, que corresponde a 26,2% de acréscimo da demanda elétrica no setor, com 254 GWh (principalmente pelo alumínio primário maranhense e paraense), mas também se destaca a extração de minerais metálicos, área que apresentou maior porcentagem de crescimento, com 9,1% uma demanda de 100 GWh. Houve crescimento de 3,5% da demanda no setor alimentício, principalmente por causa da elevada exportação de açúcar, melaço, farelo de soja e alimentos para animais. Dos 37 setores analisados pela EPE, 21 diminuíram, como o automotivo, a têxtil e a produção de borracha, papel e plástico.

Quando analisamos o aumento do consumo de energia nas regiões do Brasil, percebemos que os estados que demandaram mais energia estão nas regiões Norte e Nordeste, que, juntas, totalizam 21,6% de aumento do consumo total, até o mês de maio. Os estados que tiveram os valores mais elevados de consumo residencial foram Roraima (18,8%), Amapá (32,0%) e Amazonas (19,1%). As duas regiões de destaque totalizam um crescimento do consumo residencial de 20,5% (11,1% Norte e 9,4% Sul). Na região sudeste, houve o menor crescimento, apenas 3,1%.

Figura 01 — Taxas mensais de consumo. Fonte: EPE, 2023.

É possível também analisarmos cada setor nas regiões brasileiras. A região Norte foi a única que teve acréscimo de consumo em todos os setores: residencial (6,6%), industrial (8,6%) e comercial (6,3%). Em segundo lugar está o Nordeste, com o maior crescimento interanual no setor industrial (12,2%) e, juntos, os setores residencial e comercial aumentaram 3,0%.

Já a região Sudeste teve, no total, um acréscimo de 0,3%, apresentando aumento o maior aumento (3,4%) no setor comercial. O Sul apresentou queda no consumo no setor industrial (-0,2%), mas teve aumento no contexto doméstico, de 6,2%, apenas atrás do Norte. O Centro-Oeste teve aumento nos três setores, embora a taxa tenha ficado em cerca de 1%.

Tabela 1 — Consumo de energia elétrica na rede (MWh). Fonte: EPE, 2023.

É necessário se atentar, contudo, ao fato tratado na última publicação: o reajuste tarifário, porque ele pode alterar de forma maléfica o consumo populacional, principalmente no setor residencial, além de afetar o desempenho das empresas. Se a tarifa aumentar, pode haver uma queda no consumo, o que pode abalar a economia no geral. Um cenário positivo de afluências e condições hídricas favoráveis podem também impactar nas bandeiras tarifárias, que deverão ser consideradas nesse balanço entre consumo atual e passado. Basta aguardarmos os próximos meses para, no final do ano, podermos fazer o balanço do consumo anual do país.

Fonte:
Resenha Mensal — Maio 2023 (base Abril).pdf (epe.gov.br)

Texto: Leticia Pilger
Editor: Paulo Renato Reche