26/05/23

Onde o filho do Einstein, a Light, Guimarães Rosa e a usina de Itaipu se encontram na linha do tempo?

O tratado de Itaipu, que sela o acordo binacional da produção de energia elétrica entre Brasil e Paraguai, completa, em 2023, cinquenta anos. Como forma de homenagear um dos maiores projetos da engenharia já feitos no mundo e o tratado internacional mais memorável pelo seu integracionismo — “obra de concordância entre povos”, segundo Miguel Sória –, hoje apresentaremos curiosidades sobre o projeto de Itaipu apresentadas no documentário “Dois países, um acordo: 50 anos do Tratado de Itaipu”, lançado no último dia 26 de abril.

A superação política

No mandato de JK, a partir de uma discussão no país sobre como resolver a demanda por energia, devido ao recorrente racionamento de luz no Rio de Janeiro, na época administrada pela Light, foram construídas duas usinas de grande porte: em 1955, é inaugurada a usina Paulo Afonso, na Bahia, superada, em 1958, pela usina de Furnas, em Minas Gerais, considerado o maior empreendimento latino-americano da área naquele momento.

Nos anos 1960, o Brasil começou a pesquisar o potencial elétrico na região Sul e Jânio Quadros, o então presidente, queria transformar as Sete-Quedas em um projeto do setor a fim de deixar sua marca na história e competir com o prestígio de JK. Dessa forma, de acordo com John Reginald Cotrim, esse projeto começou com a tentativa de superar a fama de JK com Furnas e Três Marias. Foi então que Quadros indicou que seu ministro de Minas e Energia começasse a construção da usina.

Em 1962, foi feito um projeto, por Octávio Marcondes Ferraz, que aproveitava as cachoeiras das Setes Quedas a partir da margem esquerda, o que significava a unilateralidade do uso pelo Brasil. O Paraguai questionou e solicitou a demarcação da fronteira das Sete Quedas, conforme comenta o historiador e pesquisador da Memória da Eletricidade Paulo Brandi.

Fonte: Itaipu Binacional (2023).
Fonte: Itaipu Binacional (2023).
Fonte: Ullstein Bild Via Getty Images
Fonte: Itaipu Binacional (2023).

Na época do projeto, foram estudados 10 lugares para a construção, mas decidiu-se que o reservatório seria feito em Itaipu Alto. Dessa forma, de modo inovador na história, foi construída a maior usina hidrelétrica do mundo até o momento. Hoje, Itaipu é listada como uma das usinas com maior potência instalada e uma das maiores no quesito de geração de energia elétrica no mundo, sendo um exemplo de sucesso da engenharia e diplomacia brasileira.

Fontes: Itaipu Binacional lança documentário que conta história dos 50 anos da assinatura do tratado | Itaipu Binacional lança documentário que conta história dos 50 anos da assinatura do tratado | Artigos | Memória da Eletricidade