07/08/23

Paris gerou energia eólica por meio dos passageiros do metrô

Em parceria com a faculdade de engenharia francesa Junia, a Iberdrola transformou seis catracas em miniturbinas eólicas na estação de metrô Miromesnil, em Paris, e colocou piso piezoelétrico nas áreas. Os estudantes de engenharia construíram as catracas em forma de turbina por meio de impressão 3D com material biodegradável de amido de milho. O objetivo, segundo a empresa, é criar consciência na população sobre a importância da transição energética. A ação se mostra interessante ao dialogar com o contexto da emissão de CO2 dos meios de transporte, conforme apresentado nos gráficos abaixo, realizados pela Oliver Wyman Analysis.

Oliver Wyman & OurWorldinData.org (2022 e 2023).

Ao longo dos dois dias de operação — 15 e 16 de junho –, os passageiros geravam energia cinética ao passarem pela catraca-turbina e pisarem no piso, que convertia o movimento em energia elétrica. A energia gerada foi convertida para o uso do próprio metrô, em seus sistemas de luz elétrica e telas de informação. Passaram pela miniusina 27 mil passageiros, sendo que cada pessoa gerou 0,2 watts. Embora a quantidade de energia gerada por cada passageiro seja pequena, se dimensionada com o número total de pessoas no ano, o valor pode se tornar significativo. Quando se calcula esse valor a partir da escala do metrô inteiro, anualmente, com 1,5 bilhões de passageiros, a Iberdrola estima que a tecnologia poderia gerar 136 MW por ano e, consequentemente, reduzir 30.000 toneladas de gás carbônico.

World Economic Forum (2023).

Iberdrola aponta, sabiamente, que os números, ao se mostrarem pouco expressivos, não são o aspecto mais importante, porque o foco é a conscientização sobre a presença da geração de energia em diversos contextos da vida cotidiana.

World Economic Forum (2023).

Esse projeto no metrô parisiense é um exemplo pioneiro de integração entre sustentabilidade e infraestrutura urbana e contribui não apenas na geração de energia limpa, mas também na mudança da forma como lidamos com a cidade e com a eletricidade. A tecnologia usada por ser aplicada em outros espaços, como linhas de trem, aeroportos e prédios corporativos. De acordo com Eddie Tsui, “trata-se de ver a infraestrutura pública não apenas como necessidades funcionais, mas como fontes potenciais de energia limpa”. (tradução nossa). Tsui apresenta diversos projetos inovadores nos metrôs e sistemas de trânsito que podem contribuir para a sustentabilidade, como Mass Transportation Authority (MTA), em Michigan; Pinellas Suncoast Transit Authority (PSTA), na Flórida, e Los Angeles County Metropolitan Transportation Authority (L.A. Metro).

É necessário que mencionemos a realidade brasileira, como o projeto Tubo Dine, de pesquisadores da Pós-graduação em Física, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o Grupo de Dispositivos Nanoestruturados (DiNE), que instalou módulos solares orgânicos, os OPVs, em duas das famosas estações-tubo de ônibus curitibanos para a geração de energia solar. A energia criada é usada para a iluminação da estação, bem como para o funcionamento das catracas e das portas. Se sobrar energia, ela é distribuída para a rede.

Fonte: UFPR (2022).

Outras cidades que têm realizado projetos que pensem a infraestrutura urbana a partir da sustentabilidade são Cingapura, Brisbane e Istambul. Dessa forma, pode-se dizer que não apenas é possível realizar uma transição energética rápida, mas também aliar o espaço urbano para conscientizar e ajudar nesse processo.

Fontes:

https://dineufpr.wixsite.com/dineufpr

Harnessing Green Energy from Everyday Commutes: A Case Study of Paris’s Innovative Mini Turbines | by Eddie TSUI, CESGA® | Jul, 2023 | Medium

Paris Has Generated Clean Energy From Métro Passengers

The World Economic Forum is an independent international organization committed to improving the state of the world by…

www.weforum.org

Texto: Leticia Pilger
Editor: Paulo Renato Reche